Experiência de marca para cartões de crédíto
Quais são os pontos de contato que um cartão de crédito tem com os seus clientes? Algum já lhe proporcionou uma experiência de marca relevante? Esta é uma questão difícil de ser respondida. O simples ato de passar o cartão após uma compra não pode ser considerado uma experiência da marca, afinal ela não é a protagonista naquele momento. Normalmente, o relacionamento no segmento acontece através da utilização do próprio cartão, mas também em promoções, patrocínio, anúncios na TV ou, mais diretamente, na fatura mensal, uma experiência que na maioria das vezes não é agradável.
Concordo com Wally Ollins, importantíssimo profissional de branding global, quando diz que a Visa é quase que uma aparição. Não está em lugar nenhum e em todos ao mesmo tempo, não tem personalidade e é indispensável em nossas vidas (retirado do livro “on brand“).
Falta, portanto, uma experiência diferenciadora para estas marcas.
Setor Visa

No começo deste mês fui assistir a partida de futebol entre Palmeiras x Sport pela Libertadores da América no Parque Antártica em São Paulo. Por causa do pouco tempo e da facilidade decidi comprar os ingressos pela internet e testar a experiência da marca Visa, que mantêm em alguns estádios do Brasil um setor com o nome da marca.
Acessei o site, escolhi facilmente as cadeiras dedicadas ao setor Visa do estádio, paguei com o cartão da bandeira, recebi a aprovação e finalizei a transação comercial. Simples, didático e funcional, a marca entregou o que prometeu com muita rapidez, porém este é o tipo de serviço que o consumidor já espera na internet. Não surpreendeu.

Na terça-feira, dia do jogo, tive dificuldade em estacionar o carro nos arredores da Barra Funda e enfrentei uma enorme fila para entrar no estádío, nada que diferenciasse esta experiência das anteriores em arquibancadas comuns. Outra dificuldade foi encontrar a minha cadeira já que os ingressos são numerados (uma ótima idéia, não fosse a péssima sinalização do lugar).
No intervalo o único banheiro era disputado por todos os torcedores, simplesmente impossível, e o melhor foi dar uma volta pelo local reservado aos compradores do setor Visa, uma oportunidade da marca e do clube criarem um ambiente realmente encantador. Também não aconteceu.

Como dito no começo deste post, as marcas de cartão de crédito possuem poucos espaços para criar um relacionamento mais interessante e único com seus clientes e, mesmo assim, desprezam estas poucas oportunidades. Da próxima vez, apesar da propaganda da marca dizer o contrário, não sei se vou com Visa.
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